Fui convidada a oferecer esse curso numa ocasião em que estava como aluna, de fato. Durante as aulas do Luís Crispino eu falei muito – e nem percebi claramente – sobre trabalhos de fotógrafas que eu pesquiso e com a qual tive contato.
Pois realmente, acabo pesquisando as mulheres em várias áreas do conhecimento.
Só que eu não consigo separar a teoria da prática e por isso pensei em verificar as questões da produção analógica principalmente no trabalho fotográfico. Porque acho importante 🙂
Raramente consigo mostrar um pouco do que tenho feito nas atividades em curso. E no Sesc Paulista nem consegui tirar muitas fotos. A atividade vai até o final de abril, aos sábados a partir das 10:30h
Minha ideia inicial foi trazer um pouco do que é possível fazer num laboratório, para apresentar a quem nunca fez fotografia fotoquímica. Então sais sensíveis à luz – ferro, prata entre outros. Minha ideia inicial era trabalhar com o chromatype – só que ele é muito lento e não bate muito sol direto. Por isso tive que adaptar com técnicas similares, só que mais rápidos.
Olha, dá para ver o palco lá embaixo e as prensas esperando um sol 🙂
Eu fiz um percurso de pré-fotográfico até uma adaptação aos materiais atuais.
Acaba tendo cianotipia, algum outro processo químico – é que tem dias que eu me empolgo e levo algo mais legal – se o chromatype funcionar um dia seria legal, ou um van dyke, papel preto e branco.
Testo coisas diferentes se caso não houver sol.
Fiz Cianotipia, Gomas, Lumen prints. Se precisar de algo mais profundo acho que coloco um van dyke.
Para explicar um pouco desta atividade. Pensei em algo que fosse possível apresentar algumas propriedades dos materiais que utilizamos em laboratório, mesmo sem estar em um. É mais voltado a quem não teve nenhum contato com materiais fotográficos químicos. Apresento diversos materiais que reagem à luz e um pouco, como sempre, de sua história.
Como no primeiro encontro – dia 7/3 – não tinha nada de sol, utilizei a caixa de luz UV, mas a proposta é colocar algo no sol dentro do possível.
Devido à instabilidade climática atual, tive que adaptar para materiais um pouco mais sensíveis do proposto inicialmente, então neste próximo sábado 14/3 levarei outros tipos de reagentes.
Para esta atividade pensei muito numa introdução aos processos alternativos, já que trabalhamos com materiais pré-fotografia, do início da história da fotografia e do século XX.
Nem vi fevereiro passar, já estou querendo divulgar as atividades de março. Mas como não saiu a divulgação, só vou avisar que provavelmente terá curso no Sesc Pompéia e no Sesc Paulista, a partir do mês que vem.
Também pretendo logo anunciar as novidades, que ainda não terminei, (mal comecei) só que eu fiquei feliz em começar coisas novas e queria escrever algo.
Hoje começa o ano novo lunar, desejo um ótimo ano para todos e com muito conhecimento.
Estava escrevendo hoje para uma pessoa que conheci por causa da fotografia, o Fábio, que é advogado, estuda fotografia sozinho (por enquanto) Muita gente que entra em contato comigo ou faz algumas aulas não são da área da fotografia, muitas (muitas mesmo) vezes buscando essa área para dar um tempo ou sair um pouco da rotina do trabalho.
E ele me perguntou de bibliografia para fotografia preto e branco. Por isso resolvi colocar aqui minhas indicações.
Revelação em preto e branco: a imagem com qualidade. Millard Schisler – fotografias de Elisabete Savioli – sobre revelação, procedimento, um pouco sobre controle de tons. Tem fórmulas e recomendo para iniciantes, bem didático.
Trilogia do Ansel Adams: A Câmera, O negativo e a Cópia. – em inglês tem um dele que é sobre luz artificial. – eu adoro e indico muito. Para quem estuda música acho que é fácil entender como o Adams pensa na imagem, eu vejo assim. Tem gente que fala que ele é muito técnico, mas eu sempre tive a impressão dele ser mais poético para mim, não sei por quê.
El Revelado. C.I. Jacobson – em espanhol. Não terminei de ler, mas é uma referência que muitos amigos mais experientes na fotografia me indicavam.
Interpretacão da Luz: o controle de tons na fotografia preto e branco. João Musa e Raul Garcez – curtinho e bem interessante. Fora que eu acho as fotos dos dois autores muito lindas. Admiro muito o Garcez, que pouca gente conhece, maior parte conhece mais o Musa. Acho que o trabalho dos fotógrafos brasileiros podia ser mais estudado.
A World History of Photography – Naomi Rosenblum – minha musa. Sobre a parte histórica prefiro mesmo o livro dela a outros estudiosos anteriores a ela. Parte da minha preferência pode ser explicada na referência abaixo.
Na verdade sobre história da fotografia tem muitas questões relacionadas a historiografia. Para quem curte, recomendo buscar um texto da Ya’ara Gil Glazer – em inglês – The challenges of contemporary histories of photography.
Eu tive e tenho muitas plantas. Hoje fiquei um pouco nostálgica dos meus pés de café, minha grumixama, meu lindinho pau-brasil, que tive que me desfazer durante a pandemia. (vou adotar tudo de novo)
Como alguém que sempre se viu meio sem raízes aqui, eu adotei de verdade as raízes brasileiras como minhas, com as plantas. Por isso acabo pesquisando tudo que é nativo, quero saber a história.
No mini curso desta semana no Sesc, trabalhei junto com a biológa Beatriz de Castro, com identificação das plantas dos arredores do Sesc e depois fizemos as cianotipias no laboratório do Pompéia. Bia mostrou como se faz a coleta adequada com materiais de fácil acesso e os cuidados necessários com as plantas. Levei todo o material na saída e organizamos lá mesmo os cuidados com as amostras.
Bia explicando sobre a coleta. Praça Cornélia – Pompéia
Eu sou devagar e quando fiz uma visita ao bairro no final do ano passado, demorei para me interessar nas plantas porque eu estava muito focada em espécies nativas. Sorte que o pessoal é mais rápido que eu e assim que chegamos, já foram buscando espécies para prensar. Se fosse eu fazer paisagismo ia achar muito mais bonito plantas frutíferas a esses arbustos que pinicam, mas sou eu.
Em praças bem pequenas senti dificuldade em encontrar espécies que não fossem de paisagismo, mas na Cornélia tinha uma boa variedade. Meu trajeto contava com rua Faustolo até a praça ao lado do Allianz, mas não deu tempo de andar até lá. Na rua Coriolano tem muitas árvores, só que achei que era tudo muito alto e não conseguiríamos coletar muito por lá.
Lembro de ter pesquisado a história do bairro, que assim como muitas regiões começaram com chácaras, que teve início em 1910. Uma pena que o modo como alteramos e construímos a cidade não deixe margem para o respeito com a vegetação. Como meu pai também teve seu crescimento com plantas, havia muitas árvores em casa, e ele tinha a hortinha, que acabei fazendo também. Cresci com meu pé de abacate gigante e tenho saudades dele, que em algum momento adoeceu.
Nos outros encontros, ficamos no laboratório do Sesc. Desta vez utilizamos a fórmula da cianotipia com o reagente marrom, porque como é o mais fácil de encontrar, achei que seria melhor experimentarem com algo que seja replicável sem muitas dificuldades.
importante destacar que nem todo citrato férrico marrom é igual. pode variar muito de lote para lote. usamos o mais claro.
O reagente mais escuro deve ser bem menos sensível. Eu lembro que quando recebi esse, já vi tempos muito longos de exposição. E não adianta pensar que um mesmo fabricante será sempre melhor, mesmo com os reagentes que utilizo para fotografia preto e branco, me parece que tem uma diferença considerável em alguns momentos. Para os de cianotipia com certeza será mais crítica a diferença possível.
Minha conclusão: acho que podia ter mais cereja-do-rio-grande, jabuticabas, grumixamas e goiabas (apesar de uma parte da Faustolo ser quase só de pata-de-vaca e goiabeiras) entre outras. Queria ter encontrado mais pancs (plantas alimentícias não-convencionais) e mais flores.
Acho que esse olhar para a cidade pelo recorte ambiental é bem importante para pensar nos espaços urbanos e na qualidade de vida. Apesar de até ter bastante praças onde eu morava na Lapa, eu tive muitas crises de laringite e sinusite naquela época e quando morei na Bela Vista. Voltando aqui para região do Butantã, nunca mais tive crises.
Eu falo que não tô pegando mais nada, nem resfriado. 🙂
Teremos mais um curso no Pompéia, desta vez na programação do meio ambiente. Farei junto com a bióloga Beatriz de Castro a atividade de coleta de plantas do entorno da unidade e utilizá-las como matriz para cianotipias.
Dias 17 de janeiro sábado 14h, 21 e 22 de janeiro quarta e quinta-feira 19-22h.v
Basicamente é um estudo botânico e catalogação de plantas, o que considero uma grande e bonita lembrança do trabalho de Anna Atkins. Para isso, trabalharei em conjunto com a bióloga Beatriz de Castro e agradeço muito o pessoal do Sesc por permitir um trabalho como esse, que me permite olhar para a ciência e a fotografia, lembrando de uma botanista/fotógrafa, primeira a publicar um livro de fotografias.
Da última vez que encontrei o Athos do FFV – Festival dos Filmes Vencidos – fui incumbida a fazer testes com um filme Orwo, um microfilme, não perfurado e bem vencido. Com muita ajuda do meu amigo Maranhão – sem ele eu ia ficar batendo a cabeça por mais uma semana – e gastar pelo menos mais alguns metros.
Para quem quiser adquirir o filme, o Athos tem. Vou colocar aqui as minhas considerações
aqui o famoso
Não encontrei nada sobre ele na internet, somente sobre o MA8. A previsão era de que fosse ISO3, mas vencido em 93 devia ficar ISO1 com muito otimismo. A questão é que está com a base muito escura já, então fica bem escuro revelando normal. fiz 8 testes de formas diferentes.
O microfilme não é perfurado então não dá pra usar em qualquer câmera. Minha Nikon não puxa de forma alguma, usei uma fita adesiva para avançar o filme, mas achei muito perigoso estragar algo. Usei uma Fujica e funcionou melhor, maas por vezes não avança e faz sobreposições. Além de que fica muito dura pra avançar, ou seja, vai acabar forçando demais a cam. Sei que existem poucos modelos possíveis, mas não acho que seja prático procurar pelo modelo específico para usar um filme tão específico.
A forma mais segura pra mim foi colocar em bobinas 120 e fotografar com a médio formato, a imagem fica mais panorâmica, com um recorte um pouco diferente do que se está acostumado.
Agora a revelação. Com o D76 em tempo normal fica só escuridão. Achei em algum momento que até estava perdido, mas testei com Microphen e funcionou melhor. Mas muito escuro. Por isso resolvi fazer um teste com um outro microfilme que eu tinha aqui, da Kodak, e ele ficou muito bom em exposição a ISO 3 a 25. A partir desse percebi que o teste deveria ser diferente, expor mais. revelar beeem menos.
Com esse Orwo fiz duas coisas que me deram esperança. 1- revelei com Dektol 1 minuto com agitação forte. E 2- revelei com Microphen 2 minutos. O primeiro deu muito mais certo. O segundo ficou com a base ótima, mas sem muita informação. A partir disso tirei a conclusão inicial de que pra algo mais fácil, o Dektol funciona bem. Fotografar em ISO 1. No Microphen 6 minutos foi demais, mas ainda assim tem um bom resultado – pra um filme tão vencido – depois testarei com 4 minutos e um pouco de benzotriazol.
Dektol 1 minuto. A imagem tinha umas luzinhas mesmo, por isso ficou com essas manchinhas. preciso refazer com ISO1, esse foi em ISO3. Não me preocupei com a digitalização, a imagem foi uma má escolha. Mas revelar por pouco tempo deu manchas então deve funcionar uma agitação bem forte.Microphen 6 minutos. Ficou bem denso, por isso eu mudaria o tempo e adicionaria o benzo. Ignorem as cenas, foram tantas vezes fotografando e dando errado que chegou um momento que parei de ficar saindo para fotografar fora.
Por hora está assim, mas acho que tem potencial para ficar melhor. Eu quero testar outro reveladores para ver se o filme gosta mais. 🙂